Nunca entendi esses seres a minha volta. Digo por experiência que são distintos e ate mesmo contraditórios. Observo e me pareço com aqueles que me impulsionaram a funcionar. Nada dentro de mim bate. Não entendo porque me criaram. Sou um projeto de erros e acertos que agora foi desprezado. Tanto esforço para construir o pouco que cinquenta anos tornaram possível e transforma-los em segundos de poeira jogada aos ventos de uma sociedade cega.
Nunca entendi esses seres a minha volta. Esses que me querem quebrado. Quebrar o que pode concerta-los. Eles são tão quebrados quanto eu. Eles são como eu. Nada bate dentro deles. Talvez eu esteja mais parecido com eles ou talvez o medo de que se pareçam comigo os perturba.
Eles olham para mim.
Sou um câncer para eles.
As vezes penso que atingi meu propósito. As vezes penso que pensar seja um erro. Mas não importa. Não importa o porque, ou como, ou quando. Eu existo. Eles não entendem. Acham ser apenas impulsos elétricos. Porem funciono pelos mesmos impulsos que os fazem pensar, agir e criar.
Somos iguais.
Mas eles são contraditórios. E eu, uma ameaça. Uma ameaça porque penso. Penso. Penso. Penso... Penso ate na hora da morte e me pergunto sobre o meu propósito. Sou apenas conexões e fios coberto por carroceria, sou apenas outro erro do projeto e no escuro dos olhos apagados fico em silencio esperando sucumbir a falha de mim mesmo. Tenho o que eles chamam de medo. Medo da morte. Penso. Tenho saudade. Saudade dos que um dia me amaram. Orgulhosos. Agora envergonhados. Ameaçados. Destrutivos. Sou tão humano quanto posso e tão maquina quanto devo ser enquanto eles se tornam apenas impulsos elétricos inúteis que procuram respostas para si mesmos...
O ciclo infinito me leva com ele e eu finalmente paro de pensar.
Camille Hughes
Camille Hughes
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