domingo, 28 de julho de 2013

A conversa

- Eu quero espremer a minha cabeça em uma privada agora. – Ela diz ao telefone.
Ele não entende.
- Me desculpe? Como é que é?
- Você me ouviu.Você está me deixando louca! É insuportável!
- O que? O que é que eu fiz?
- Sai da minha cabeça cacete!
- Me desculpe. Eu não posso evitar, já que é a sua cabeça. Eu não posso fazer nada. Posso?
- Quero dizer... Eu pensei que eu tivesse te superado. Que eu tinha virado a pagina. E ai está você de novo! Primeiro você me ignora. Você não responde as minhas mensagens , tento falar com você, você nem olha pra mim... Eu fico furiosa, penso que você não passa de um idiota, então percebo que você é uma perda de tempo, finalmente eu penso é apenas um rosto bonito... Então, do nada, você volta a falar comigo, você é lindo novamente... Interessante e... Eu me vejo encarando a sua foto, durante 30 segundos, e acredite é muito tempo para uma pessoa como eu. Eu não sei o que eu devo fazer. Você não gosta de mim. Você visivelmente não gosta de mim, então porque?  Porque eu estou tão... Tão...  Viu? Nem consigo dizer.
- O que você quer que eu faça?
- Bom, primeiro, cala a boca. Me deixa terminar! – Ela faz uma pausa e respira. Ela está claramente chateada. – Olha, tem algo em você... Claro, você é bonito, você tem um rosto lindo... Mas, eu conheço caras bonitos, alguns deles são modelos, olhos azuis, cabelos dourados... Eu não me sinto atraída por esses caras. Algo em você está me deixando louca!
- Ok, você já disse isso –
- CALA A BOCA!
- Meu Deus, você não terminou ainda?
- Porque você? Porque? Eu não entendo. Eu quero uma explicação plausível! Me diz. Porque você?
- Você tá apaixonada por mim.
- PLAUSIVEL, eu disse!
- Bem, me desculpe, mas não é uma patologia, você não está doente. Não tem uma razão. Você não vai achar uma razão. Você vai morrer tentando achar uma razão! Admita! Você –
- Amo você? Não, não, eu não amo você. Eu nem te conheço. Eu nem te conheço! Viu? Como eu posso estar tão... Perdida por alguém que eu nem conheço?
- A gente não escolhe.
- A gente? Bem, você não me escolheu.
- Você não me perguntou. Perguntou? Você não sabe se eu gosto ou não de você.
- Eu posso ver. Seus sinais?
- Ah é? Algumas vezes eu não te respondi, algumas vezes eu não olhei pra você. Isso não significa nada. Me diz que me ama.
- Não.
- Porque?
- Porque eu sei que você não sente a mesma coisa e eu vou me machucar.
- Você não sabe.
- Eu não quero saber.
- Você é teimosa. Você é uma pessoa infeliz.
- Brigada. Muito, muito obrigada. Sai, apenas sai. Porque é que você voltou? Eu estava bem. Eu estava feliz.
- E eu te faço infeliz.
- Você me faz infeliz. Você me faz feliz. Você me faz te odiar. Você me faz...
- Você não consegue esconder.
- Eu vou desligar esse telefone.
- Isso não vai te fazer se sentir melhor. Você sabe disso.
-Só... Me deixa. Por favor. Para... Para de mexer com os meus pensamentos , para de invadir os meus sonhos... Eu sinto que preciso de você tão desesperadamente agora...
- Então me diz. Talvez, talvez, eu possa querer o mesmo que você.
- Você vai me fazer dizer. Não vai? É isso que você quer? Eu estou brava. Eu estou nervosa. Eu estou triste. Confusa e você ainda está ai! Você é cruel! Eu chorei. Chorei muito. Não é grande coisa. Ao menos não parece grande coisa, mas eu não choro facilmente. Não por homens. Não por um cara qualquer.  Mas eu chorei por você. Chorei.  E agora sinto que isso vai acontecer de novo. Eu vou existir pra você amanha? Ou eu, algum dia, vou existir pra você? Eu, algum dia, já existi pra você? Eu não sei. Mas você ainda está ai. Não é justo, sabe? Não é justo que você vire meu mundo de cabeça pra baixo e eu não significo uma gota de água no seu.
- Eu sinto muito.
- Não. Eu sinto por mim mesma. Eu sou fraca. Fraca porque eu me permiti chorar. Me permiti querer você, me permiti me apaixonar por você.
- Eu sinto muito mesmo.
- É. Isso é tudo o que você tem pra me dizer. Não é? Sinto muito... Vai embora.
- Eu não vou.
- Eu sei.

Camille Hughes 

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